Depois de algumas declarações a ele atribuídas, o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, em reunião com representantes de centrais sindicais de trabalhadores, realizada em Brasília no dia 9 de julho, afirmou que não existe compromisso de sua parte para a suspensão da Norma Regulamentadora – NR nº 12, que define procedimentos para a prevenção de acidentes no trabalho em máquinas e equipamentos.

A reunião foi consequência da reação dos representantes dos trabalhadores na Comissão Nacional Tripartite Temática – CNTT, que ficaram indignados com a interrupção da reunião do dia 2 de julho e a suspensão da próxima, agendada para o dia 17, por causa de manobras do representante patronal com vistas a impedir a viabilização da Norma. No dia 2 de julho, ao mesmo tempo em que era realizada a reunião da CNTT em São Paulo, representantes da Confederação Nacional da Indústria – CNI, liderados pelo coordenador da bancada patronal, reuniram-se com o ministro Manoel Dias em Brasília, para pressionar pela suspensão da fiscalização. Com o argumento de que o custo de adequação das máquinas às exigências da NR vai inviabilizar os investimentos na produção, os empresários vêm trabalhando no sentido de obter a suspensão da fiscalização da norma e essa estratégia tem conseguido tumultuar a aplicação da NR 12.

Enquanto os empresários resistem a adotar medidas de segurança, os números não param de crescer. Dados do cadastro de Comunicados de Acidentes de Trabalho – CAT emitidos de 2011 a 2013, sobre acidentes ocorridos com máquinas, totalizam 172.115 mil acidentes, que representam 10.710 mil amputações, 26.010 fraturas e 358 óbitos. Os Auditores-Fiscais do Trabalho investigaram e analisaram, entre os anos de 2012 e 2013, 5.353 acidentes graves e fatais. Desses, 42% envolveram máquinas e equipamentos; sendo 50% dos acidentes graves e 30% dos fatais causados por máquinas perigosas. “Número alarmante, que indica a necessidade de prioridade na prevenção de acidentes decorrentes desses fatores de risco. Este cenário coloca o Brasil entre os campeões em acidentes de trabalho no mundo, ocupando a 4ª posição entre os fatais”, declara o vice-presidente do Sinait, Carlos Silva.